Às vezes

Às vezes,

- tudo o que você quer é uma resposta, independente do conteúdo, resposta.
- vejo a vida andando e tenho a impressão de estar parado.
- meu maior medo é me tornar igual as pessoas ao meu redor.
- só às vezes, fico inseguro e acho que o destino que meu coração aponta não é meu.

Às vezes,

- só o que a gente quer é receber uma ligação, uma mensagem, mas não essa que recebemos hoje ou ontem. Não essa, daquele ou daquela. Queremos uma mensagem inesperada, de algo novo, alguém que arrombe o peito, que sugue e se entregue, que se transborde todo em você, com você.

Às vezes,

- todo o esforço do mundo de nada adianta se ela, simplesmente, não quiser ficar com você.

Às vezes,

- você cresce ouvindo sua mãe dizer que você é especial e de-repente, você acredita. E acredita tanto e de tal forma que basta que aquela menina te olhe para que perceba pela sua íris o quanto você é especial. E assim, em você, ela descobrirá a cura para todo o amor represado do passado, e será você o amante de todas as noites, e será você o consolador, e será você, só você. Mas quando ela te olha, nada acontece. “Mas minha mãe dizia tanto”, você pensa, e descobre com o passar dos anos que ninguém ouvirá sua lamentação.

Às vezes,

- a gente é especial só pra gente mesmo.

Às vezes,

- fica cada vez mais difícil definir uma idéia, um pensamento, uma personalidade, um sonho, um amor, uma vida. E sem conseguir definir, como posso fazer um texto que contemple toda essa dualidade da vida sem usar essa palavra que tanto me auxília?

“Às vezes”, quanto mais envelheço, mais faço uso.

Adriano Monteiro 

Notes